Amigos e vinho

tolstóiTalvez eu me perca na arte de fazer amigos,

Talvez não.

Perder-me-ei na simplicidade do não e na complexidade do sim.

Não quero acertar a uva, não quero acertar a safra, não quero acertar o ano.

Não quero perder a reflexão silenciosa da barulhenta conversa.

Quero beber vinho, quero fazer amigos, quero errar mais.

Quero confundir amizade com amor, borra com levedura, tanino com dulçor.

Quero me confundir para me encontrar.

Não sei onde está o sucesso do fim, ou se posso enfrentar os fracassos do meio,

Só sei que proíbo, a mim mesmo, de tentar adivinhar o caminho, o vinho ou o amigo.

No máximo, quero saber da distante alegria do instante, do delicado amargor da jovem fruta, da liberdade de olhar o céu repleto de vento.

No fundo da minha alma, começo a entender o valor dos momentos e das amizades,

Porque o preço a ser pago, ao fechar os olhos tarde demais, já terá sido muito caro.

Com as pedras que me atirarem, construirei uma lindíssima adega, e lá colocarei o vinho, cuja pressão já foi retirada pelo sabre.

Os amigos sempre receberei com o coração aberto, os inimigos travarão combate solitário, se assim desejarem.

Sozinho nunca estarei, pois na companhia plena da taça vazia, terei o vinho para as lágrimas que não pude derrubar.


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