TANTO FAZ

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Tanto faz, se tinto, se branco. Tanto faz, se fez ou fará espuma.

Tanto faz se podre ou nobre.

Não penso nisso. Não posso pensar nisso, sob pena de rotular, algo além da garrafa de vinho.

Não sou livro, não sou presa, sou livre para não ser alguém.

Quero beber vinho. Preciso beber vinho.

E não me intimido com rótulos sem caráter ou paixão.

Respeito cada gole, respiro cada taça, sem esquecer que sou ignorante.

Permitam-me que perca o rumo da boca.

Permitam-me tentar, tanto faz.

Tentar o desconhecimento do vinho distante, para poder encontrar, dentro de mim, o retro olfato do cúmplice prazer.

Não sou enólogo. Não sou enófilo. Não sou Sommelier.

Sou andarilho, viajante ácido em terreno infinito, de possibilidades não nascidas.

Sou só. Sou todos. Sou tinto, nem tanto, nem talvez.

Sou perlage, sou barrica, sou Jerez.

Sou Porto, pouco seguro, dourado, sou francês.

Sou Barolo, sou Soave, patagão torrontés.

Quem sou eu ? Tanto faz. Tanto tinto, tanto branco, tanto vinho que me faz.

Me faz apaixonado, me faz alucinado, me faz voraz.

No vinho contumaz, obstinada insistência do tanino que sumiu.

Traga-me uma taça, traga-me a taça, do inútil refúgio que simplesmente, se partiu.


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